Para o internauta brasileiro que procura informação, sites de busca, como Google e Yahoo, pesam tanto quanto os noticiários de TV. É o que revela a pesquisa Media Myths & Realities, realizada em outubro pela multinacional americana de comunicação corporativa Ketchum, em parceria com a Universidade da Califórnia do Sul, nos Estados Unidos, a Universidade Bournemouth, da Inglaterra, e a GMI Research, no Brasil.
Foram entrevistados dois mil internautas nos três países, sendo 500 no Brasil. Destes, 300 pertencem ao público em geral, boa parte deles com renda de até R$ 2,1 mil ao mês. Outros 200 são considerados “influenciadores” (pessoas que expressam sua opinião em algum meio de comunicação ou atuam em grupos sociais); entre esses, cerca de 50% têm renda de até R$ 4,2 mil. A maioria (57,5%) mora no Sudeste, 20% estão no Sul, e 13,5% no Nordeste.
Só no mercado brasileiro as ferramentas de busca receberam tanto destaque na resposta à pergunta: “Com exceção de publicidade, quais fontes de informação você leu, assistiu, ouviu ou usou no último mês?”. A margem de erro é de cinco pontos percentuais, para mais ou para menos.
Quando a pesquisa dimensionou qual a fonte de informação buscada em primeiro lugar pelo usuário no Brasil, a internet superou de longe a televisão: 53% do público em geral acessa primeiro a web, contra 30% que consideram a TV como fonte primária. Entre os influenciadores, a distância é ainda maior: 78% vão para internet e 14% buscam a televisão. Quando se trata de público em geral, outros meios são utilizados com bem menos intensidade como primeira forma de ficar informado: jornal (6%), rádio (5%), amigos e família (3%) e mídia móvel (1%).
Nos Estados Unidos e no Reino Unido, diz Wallace Baldo, gerente de comunicação interativa da Ketchum, a disputa entre TV e web está muito mais equilibrada. “Nos EUA, 43% do público em geral procura a TV para se informar primeiro, contra 40% da população, enquanto que no Reino Unido esta relação está em 44% para a TV e 36% para a web”.
“Os resultados comprovam o crescimento do meio internet”, diz Guilherme Ribenboim, presidente do Interactive Advertising Bureau (IAB) Brasil, entidade que promove o uso dos meios interativos para ações de comunicação e marketing. A despeito da forte influência dessa mídia no país, inclusive em comparação a outros países onde a taxa de penetração é maior (no Brasil, gira em torno de um terço da população), a internet alcança apenas 3,5% de participação no bolo publicitário nacional, contra 58,5% da TV aberta, segundo o Projeto Intermeios. “Existe uma grande disparidade entre o que se investe em mídia on-line e na mídia TV”, diz Ribenboim. “Muitas empresas acham que podem viver sem investimento em internet ou investindo muito pouco”, afirma.
Ainda assim, o IAB Brasil comemora o crescimento de 44% na verba de mídia on-line, que atingiu R$ 760 milhões no ano passado. A entidade, que congrega portais, agências e institutos de pesquisas, espera que a internet alcance 4,2% do bolo publicitário esse ano. A estimativa é conservadora. Isso porque a internet é a ferramenta mais barata e uma das que oferecem maior chance para o anunciante medir o retorno da ação. Tanto que na multinacional de produtos Unilever a verba de internet dobra de valor a cada dois anos – enquanto o orçamento de marketing não dá grandes saltos e está em torno de R$ 2 bilhões ao ano.
No ano passado, o alcance da internet no Brasil cresceu em todas as classes sociais, de A a E, segundo o Ibope. “Nos grandes centros, podemos dizer que o apartheid digital, que excluía os pobres do acesso à internet, não existe mais”, diz Fabia Georgetti Juliasz, diretora do Ibope Media. “Graças à proliferação de ‘lan houses’ pela periferia”, completa.
Fonte: Valor Online
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